“Sempre conservei uma aspa à esquerda e à direita de mim.” (Clarice Lispector)...

Não sei se sempre, mas vez ou outra me percebo nitidamente entre aspas. Isso significa estar meio suspenso ante algumas questões, algo como colocar-se à margem.

Todo mundo sabe - se não sabe, devia saber - que sinceridade não deve ser desculpa para falta de educação, nem deve servir para tripudiar ou magoar, mas omitir verdades necessárias pode ser desleal consigo mesmo - e também com o outro. É possível dizer que se concorda com algo que se discorda totalmente para não criar atrito, mas pode incomodar internamente, deixar a gente desconfortável.

Eu não me distraio de alguns assuntos e só mudo de opinião se conseguirem provar que o meu raciocínio está equivocado. E detesto quando tentam me convencer de que uma mesma situação possa ter lados diferentes quando ocorridas a pessoas diversas...


Então tá. A gente pode fechar os olhos e achar que é assim. E quando a amiga perguntar, a gente não vai se indispôr, claro, nem ser mal educado, muito menos magoá-la - imagine, ela já está numa situação delicadíssima! Vamos concordar que é assim mesmo, essas coisas acontecem.

E aí você pode se manter assim, como estou me colocando nesse momento: entre aspas. E não dizer nada, apenas ouvir e acompanhar o desfecho inevitável da trama, como telespectador de uma novela cujo final você já conhece. Você se protege e, de certa forma, protege o outro. Convence-se de que as pessoas só ouvem a própria voz - o que não é mentira, vamos combinar -, então, melhor não gerar mal estar, não interferir, não atrapalhar, não ajudar, não condenar nem aprovar. Lavar as mãos. Silenciar. No máximo, concordar.

E, sim, deixa eu me lembrar: não vale sentir-se mal quando as coisas dão erradas e a gente se omitiu. Vamos nos convencer: afinal, a gente não podia mesmo fazer nada!

Mas que incomoda, incomoda...


Mais um dia, mais uma hora, mais um minuto. A vida é um somatório de todos os momentos que vivenciamos. Alegres ou tristes, ínfimos ou eternos, todos fazem partes de nós. Há de se concordar: nada dura para sempre. Então porque, tantas vezes, o passado se faz presente?

Quem nunca se arrependeu de algo que fez? Ou de algo que não fez? Quem nunca pensou em consertar o que se passou? Desconheço. Só não acredito que em fantasmas. Esses, para mim, não passam de medo disfarçado.

Todo passado findado não se torna presente; ele se torna, simplesmente, lembrança. No mais, tudo que é mal passado vive o presente. Será que isso tem futuro? Desejo infinitamente que não.

Talvez eu esteja perdendo muito tempo com o passado, talvez eu esteja pensando demais no futuro. Certeza, mesmo, só tenho presente: amo* a quem me ama, até que não tenha mais outro jeito...


P.S.: Constatação: Em outras oportunidades, estaríamos realizados com a aceleração da passagem do tempo. Mas o tic tac do relógio mantém sua constância, indiferente à nossa vontade. E a vida por aqui segue adiante, no vai e vem dos acontecimentos... Ontem certas coisas foram reveladas e assim opto a segui a adiante, sem muita neuras!!!

O tempo... Af!!! 

 

A verdade é que estamos cansados do tempo… Do tempo que não chega. Deste sábio possuidor de todas as respostas que nos parece sempre estar atrasado, afogando-nos na insegurança e nos inflando de dúvidas. Um tempo esperado, porém incerto. Um Senhor de respostas exatas que nos leva a temê-lo quando se trata dos questionamentos de agora que só nos serão respondidos em um amanhã incalculável. Tempo distante para o qual fazemos tantos planos e preces, ainda que muitos daqueles sejam utopias e, muitas destas, meras formalidades.


Nessa cansativa espera vamos perdendo o fôlego e, o que sobra, transformamos metade em perseverança, metade em esperança. E depois? Depois seguimos pelo tempo, mas em busca de tempos melhores. Que Deus esteja conosco.


Alguns justificarão tal agonia pela alta dose de ansiedade que nos consome fazendo com que enxerguemos um tempo avançando mais lentamente do que realmente está, outros não encontrarão argumentos algum e muitos outros já estarão totalmente deslocados no tempo para poder expressar algo da qual tenham absoluta certeza. E a verdade será – sempre foi – que o tempo continuará seguindo seu compasso imutável sem se preocupar com o lapso temporal que criamos em nossas vidas tentando entender as indagações oriundas de uma parte de nós que tende a questionar as coisas mais trivias por não se ver capaz de vislumbrar a simplicidade existente naquilo que nos parece complexo.


Embora eu esteja cansado do tempo, sinto-me totalmente ligado à ele e necessitado de suas silenciosas ações, pois, assim como não há meios de se fugir da vida, também é impossível esconder-se do “Senhor dos Segundos”.


Ainda que eu saiba que minhas dúvidas são triviais e as respostas serão sempre inconclusas, eu as jogo no tempo para deixar claro a mim mesmo que não fujo nem me escondo do tempo, somente tento entendê-lo.


Então, somente faço do meu dia uma somatória aos que já se passaram e caminnho ao compasso do ponteiro fazendo de cada segundo o diferencial em minha jornada.
.
Talvez não seja a hora, porque toda horá é hora!

Ops...

O amor é um sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem ou de alguma coisa“. Esse é apenas um dos significados que encontrei quando procurei pela palavra, nos dicionários. Os verbetes são longos e também dizem que o amor é dedicação absoluta, devoção extrema, gratuidade, bondade, generosidade, compaixão. Eu gosto mais da definição de Camões que, por acaso, também é citada num dicionário: o amor é um fogo que arde sem se ver.

Sempre me questionei se o amor é mesmo tudo isso ou se, acrescentando mais um adjetivo: pretensioso, acredita piamente que é. Não duvido — quem me dera! –, que ele seja tudo o que se prega (ou se auto-determina) e mais um pouco. Eu apenas questiono a sua essência tão forte e inigualável como sândalo ao mesmo tempo que pode e sabe ser suave como lavanda. Sempre penso que amor, tal perfume, depende da pele onde se espalha e do temperamento de quem usa.

Poliglota, fala a língua dos loucos, dos anjos, dos sábios, dos ignorantes, ingênuos, crédulos e marginalizados. Usa códigos secretos, dos mais simples aos mais sofisticados, escondendo cuidadosamente suas senhas e traduções como jóias contrabandeadas. Quando não pode ou não sabe pedir, oferece a ironia, envergonhado demais para gritar por socorro. Paradoxal, grita palavras bem ditas e sussurra as desditas como um engasgo, sem piedade ou compaixão por si mesmo — tudo em sua defesa, pelo medo turvo e incontrolável da rejeição. E, como não mede o que doa, definha se não se recebe, devorado pelo próprio apetite, anoréxico de reciprocidade. Encimesmado pela idéia de que quanto mais se dá, mais forte fica, esquece que sem nutrição é canibal faminto de sua própria carne.

Espaçoso e sem limites, ocupa grandes cômodos numa só morada que consiga aconchegar sua grandiosidade. Se encontra uma casa que lhe abrigue com alegria, esparrama-se em generosidade, é devoto, seguidor de si mesmo e — ouso apostar –, quase narciso. Mesmo assim, sofre de desajeitamento e, sem perceber, perde o controle, esbarra nos móveis, quebra vidraças, estilhaça vasos antigos como um mamute tentando se movimentar dentro de um laboratório. Sua grandiosidade e delicadeza não impedem que estilhace experiências transformadoras em minúsculos cacos. Mas quando não encontra morada, porque nem sempre procura, é mendigo faminto e sem teto, pedinte de afeto e, vândalo, é capaz de destruir o mais belo canteiro de flores.

Maestro das grandes sinfonias e músico dos mais simples acordes e, por isso mesmo, mais belos, o amor também é caçador de borboletas, colecionador de cata-ventos, dançarino de coreografias intimistas e inventadas. Confeiteiro de delicados sonhos, alquimista de substâncias etéreas, escultor de obras surrealistas, malabarista por natureza e por dom. Circense engolidor de fogo, o amor arde. Arde quando nasce e cresce e arde quando suspira à própria sorte. É isso, tudo isso, o amor que os dicionários não traduzem, uma entidade que nasce, cresce e multiplica-se em si mesmo.

Os tolos, acreditando que ele é menor do que é, confundem-no com a paixão. Os que se acreditam mais razoáveis, não sabem muito bem a diferença. Mas, parece que somente os sensatos não o conhecem. Por isso, a conclusão que me toma é que de amar sabemos quase nada. Do que gostamos mesmo é de desejar o amor.

Fragmento de um conto surreal...

Eu acordei com uma sensação estranha. Aquela não parecia ser a minha cama, meu quarto, meu apartamento. Me sentia fora de órbita, como se alguma coisa muito importante fosse acontecer e mudar toda a minha vida ou a vida que eu pensava ter. Essa sensação estranha passou logo que eu olhei pro relógio. Pulei da cama, que a pouco desconhecia, e comecei a travar minha luta diária contra o tempo e contra eu mesma, antes de chegar ao trabalho.

Enquanto aprontava tudo para sair, ia pensando nos últimos anos, meses e dias. Como o tempo passava, como as pessas passavam. Tudo acontecia tão previsivelmente que eu já nem ligava mais se alguém vinha ou ia. Me sentia parada, estacionada num tempo sem espaço. Tudo acontecia da mesma forma a tanto tempo que eu me sentia um animal domesticado. Como se a minha vida estivesse em coma. Minha rotina é de casa pro trabalho, do trabalho pra casa. Tudo o que uma mulher independente sempre quis, tudo que eu queria e que hoje já não faz sentido. Talvez esteja faltando um conto de fadas. Um príncepe!

Mas com o conto de fadas viriam a inveja, a bruxa a maçã. Seria um sonho seguido de um grande pesadelo onde eu deveria escolher entre a vida de meu amado e a minha, ou nenhuma das duas, acho que isso é só um sonho.

Talvez fosse melhor casar, não com um príncepe, mas com um plebeu honesto. Teríamos uma casa pequena e criaríamos nossos quatro filhos com uma renda pequena e sem muitas garantias. Eu ficaria tão gorda e chata que a única coisa que me deixaria viver seria a dedicação aos filhos e ao marido. Bom, não sei bem se isso é um sonho ou um pesadelo.

Talvez eu possa continuar com minha independência e ter filhos e marido ao mesmo tempo, seria muito bom e não precisaria mudar tanto meus planos. Mas, eles seriam tão dependentes de mim, não? Creio que eu acabaria perdendo a minha independência com o tempo e me tornaria amarga e rude.

Tenho que parar com esses sonhos, reclamo a toa! Venho conquistado muito pra perder tudo isso com planos idiotas que não me levariam a nada, só me tornariam amarga e fracassada. Será que essas mulheres não reclamam da vida que têm? Será que elas não sonham em ter a minha vida? Eu decidi ser quem sou mesmo que por vezes eu me sinta sozinha, seria bem difícil começar de novo, estaria numa terra totalmente estranha. Mas será que ter uma aventura de vez em quando não seria um conto de fadas?
Ah, não tenho tempo pra isso agora, vou chegar atrasada! Por enquanto, vou deixar essas sensações e sonhos de lado.
Acho que vou continuar em coma...


"Uma das causas do fracasso na vida é deixar para amanhã o que se pode fazer hoje, e depois fazê-lo apressadamente"

Milagre... Simples assim...

Desce as escadas correndo
E sem rodeios, encontra o fim
Então vê que...
Havia um sorriso amargo, mas havia!
Havia a incerteza, mas havia!
Nada mais lhe faltava, não estava enganado
Agora ele tinha tudo, tudo o que quis em toda a sua vida
Não havia mais o engano, era tudo o que ele queria
Ali, no fim de uma escada, no último degrau
Então, quanto tempo faz, você ainda se lembra
Da última vez que sorriu sincero?
Hoje sorri, no fim de uma escada, como nunca antes
Corre, desce as escadas, vê, sente e sorri
Não há mais nada de errado,
Aquele momento era tudo o que ele quis um dia
Não chora, não abraça
Apenas sorri, para o incerto e para o amargo
Vê, sente e sorri, e a chuva insistir cair... Por dentro e por fora...

 

Liberdade, segundo a minha Filosofia Banal...
 


A Liberdade é a maior vitude do homem e por isso, a mais cobiçada pelos vícios, ou seja, pelos males do mundo. Mas antes de tudo, precisamos ter a consciêcia do que é liberdade.
Liberdade é o meio pelo qual o homem escolhe seu próprio caminho e constrói sua história, porém para chegar a esse caminho, o homem precisa julgar entre o verdadeiro e o falso; observar a própria moral julgando atos passados, presentes e suas intenções futuras, sempre seguindo os caminhos e a prática do bem usando da sua liberdade com responsabilidade e consciência moral, isto é, ter a capacidade de responder e justificar seus atos. Nesse sentido devemos destacar o fato de que, quando não se tem escolha, quando se é coagido a praticar uma ação, enfim, quando se é forçado a não usar da racionalidade, é impossivel decidir entre o bem e o mal.


Para mim, todo o homem nasce livre, mas ao longo da vida é escravizado por conceitos e ideologias impostas pela sociedade e pricipalmente, por si mesmo, o que é pior. O homem, não tendo consciência de que é livre e do que isso significa, acaba se prendendo a paradigmas e vícios.


Portanto, a liberdade não pode ser apenas física no sentido que eu me visto, falo e faço o que quiser, pois se for assim qualquer ventania pode levar essa liberdade fajuta. O homem LIVRE é, principalmente, livre de espírito, coração e razão.Nenhum paradigma, ideologia, mal ou mesmo o outro homem pode tirar essa Liberdade.


A liberdade é digna e prrópria do ser humano. Não é como os direitos que são impostos como leis e não são cumpridos, ela é a realização maior do homem. Não é comparável, vendível ou discutível.


Poder dizer EU SOU LIVRE é a maior virtude que eu tenho em minha vida, o que de mais raro e importande há para a formação do meu ser. É simples assim: eu nasci livre e vou morrer livre.


Prefiro morrer de pé a viver sempre ajoelhado.
(Ernesto "Che" Guevara)

Surreal Parte II

Ele voltou da feira livre. Logo cedo, sorriso sereno nos finos lábios, pressentiu mais uma manhã sem graça, porém harmoniosa. Levantou cedo, escovou o cabelo e fez o penteado habitual. Haveria de caminhar um pouco vestido de verde claro.

Pensou no que servir de almoço, falou com alguém, perguntou sobre o peixe e resolveu que comeriam cordeiro, naquele sábado aberto a tantas possibilidades. Gostava de agir assim, provocando pequenas revoluções na rotina: mudanças no cardápio, substituição das flores nos muitos vasos, alteração do caminho habitual que a levava ao centro do bairro, onde comprava flores molhadas de sereno e encomendava outras sutilezas.

Vivia dos pequenos milagres proporcionados pelos períodos de sanidade e sonhava com alguma coisa diferente que ainda não sabia ao certo o que poderia ser.

Mas não estava aberto, não hoje, a especulações de qualquer espécie. Só queria contemplar as flores azuis e cultivar seu amor por entre calçadas e pequenos lagos que se espalham ao longo do parque.

Que assim seja.

 

Surreal Parte I

Enfim chegou como de costume, pós-crise histérica, com dores nas costas e olhos fundos ainda mais pronunciados. Falou longamente de tudo de seu universo.

Gostava de pensar que, mais uma vez, vencia o pânico e se preparava para um novo mergulho no território pouco confiável do sonho. Lavou as mãos, depositou o boné na mesa escura contígua ao lavabo e sentou perto da escada.

Bem sei, vivia dividido entre o medo da morte e o de envelhecer com sinceridade. Estudava a vida breve de alguns insetos e se perguntava, freqüentemente, sobre a dieta dos que vivem em terras distantes, como o chinal.

Costumava dar curtas caminhadas e, um dia, sem maiores explicações, comentou com alguém a vontade de conhecer alguém com mais de 100 anos.

Vivia para o belo, embora duvidasse de sua eficiência. Era bom. Mas nunca soube disso.

 



eu levo o seu coração comigo (eu o levo no
meu coração) eu nunca estou sem ele (a qualquer lugar 
que eu vá, meu bem, e o que que quer que seja feito
por mim somente é o que você faria, minha querida)

       tenho medo

que a minha sina (pois você é a minha sina, minha doçura) eu não quero
nenhum mundo (pois bonita você é meu mundo, minha verdade)
e é você que é o que quer que seja o que a lua signifique
e você é qualquer coisa que um sol vai sempre cantar 

aqui está o mais profundo segredo que ninguém sabe
(aqui é a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu de uma árvore chamada vida, que cresce
mais alto do que a alma possa esperar ou a mente possa esconder)
e isso é a maravilha que está mantendo as estrelas distantes

(eu levo o seu coração (eu o levo no meu coração)


Celebro a vida, sofro em poemas, choro com músicas, alegro-me com as verdadeiras proximidades, me entristeço com os artíficios, mentiras e falsidades, mas quem não passa por eles? Prefiro que você não os use, isso não me conquista! Afaste-se se você precisa deles para ser alguém pra mim…

Deixo-te livre para me ver como sua imaginação quer, deixo-te livre para me ler nas entrelinhas, mas a interpretação é sua, pode ser apenas sua… Não queira que sua imaginação seja a minha verdade, você pode estar tremendamente equivocado (a)!… Há algo em mim que não pertece à sua interpretação…

Há algo a descobrir de si mesmo (a), posso ser um caminho, mas não ser o mais correto…

Também sei dizer NÃO!Existe o não….

As vezes o que está oculto nem sempre é proibido, às vezes é simplesmente comedido, estável…

O que não é ambíguo?!… Não ser as peças (gratas) surpresas que fazem nossos olhos se espantarem, o ademais já é esperado. Ainda bem que há surpresas. Graças que nos surpreendemos com o inesperado, com aquela sensação do: ‘E agora?!’…

O ciclo de nossas idas e voltas estão calcadas no sair do comum. Talvez seja por isso que tantas pessoas querem se apaixonar, viver aquele “sentimento” de ficar aéreo (a), pensando 25h por dia em uma só pessoa. Imaginando (delirando) situações, e as reações diante delas. “Que me tome nos braços, que me beije, que… que… que… que….” Já até visualizamos o final feliz… Figuras de um cenário, sem contar com alguns detalhes….(…)!!!

Nossos livros estão sendo escritos, nem com tantos finais felizes, nem com tantas desilusões. Prontos para outra? Sim, afinal as expectativas mudam o foco. Ficam lembranças. É Nietzsche, tens razão:  “... Pode-se prometer atos, mas nunca sentimentos….” . O que são sentimentos e o que são expectativas? Expectáveis?… Sentimentos são intelectualizados, internos, mais elaborados, todos somos capazes de sentir (não me lembro de ter lido ser promessa de para sempre). Então, por que temos que nos culpar tanto quando deixamos de sentir? Ops, falha no sistema Límbico.

Nãooo, voltemos à poesia. Isso é racional demais! Sendo expecativas expectáveis, ou não… Que possamos respirar e transpirar em verdade nossas situações, relações (sentimentos).

Aquela dor que parece não ter fim… Aquele momento que parece interminável, ou aquela sensação inexplicável de ser feliz………………………

O Lobo Bom

A Mesa Literária com o Lobo Antunes foi de uma beleza comovente ... Queria conseguir traduzir em palavras, mas acho que não conseguiria me exprimir de forma adequada ... Sai de lá impactado pela contundência de suas histórias, suas metáforas ... Eu não queria reproduzir aqui o que se pode encontrar de forma brilhante na cobertura da semana academica, nem sei fazer esse tipo de coisa, mas queria conseguir compartilhar a comoção que me tomou ...

Sua fala foi um passeio por suas memórias afetivas e literárias. "...O Brasil não é um país, são cheiros, música, livros, poesia ... é a minha origem .. " enfim, o Brasil de seus avós brasileiros.

E continua, falando de literatura com paixão e exprimindo-se com imagens belíssimas.
"O livro é um organismo vivo ..."
"Um bom livro se faz sozinho. Só o que você tem que fazer é tornar sua mão feliz. Se a mão está feliz, o livro sai fácil.”
“Todo grande livro é uma profunda e constante reflexão sobre o ato de escrever."
"O Livro inteiro tem que ser uma enorme metáfora"

Citando um livro que gostou diz: "É uma prosa maravilhosa, como se a mão estivesse cheia de dedos mindinhos, então, todos os dedos dele são mindinhos quando escreve"

...sem palavras ...

A emoção e excitação que não vêm de estimular e ser estimulado, mas do conhecer e ser conhecido, são muito raras. A maioria de nós, em relacionamentos compromissados e estáveis, opta por previsibilidade, conforto e companheirismo porque tememos explorar os mistérios que possuímos juntos como homem e mulher, tememos expor nossos eus mais profundos. Ainda assim, com medo do desconhecido em nós e entre nós, ignoramos e evitamos o mesmo presente que o compromisso põe a nosso alcance: a intimidade verdadeira.

Robin Norwood, no livro Mulheres que amam demais, p.61.

 Celebrando aos adolescentes que fomos um dia!


Hoje almocei com um amigo em um restaurante indiano, no meio das comidas vatta, pitta, kapa e sei lá mais o quê, com direito a suco de manga com iorgute e cardamono que eu não sei o nome, ele me contou sobre um encontro com os amigos da época em que ele fazia o 2º colegial. Essas pessoas não se viam há 19 anos. Ai, perdido em lembranças, ele arrematou, é dificil julgar qualquer coisa que aconteceu nessa época da nossas vidas, tudo era muito intenso. Nós achavámos que poderíamos mudar tudo. Que nada, nem ninguém poderia nos deter. Achavámos que sabíamos tudo.

E acho que sabíamos mesmo. E com o tempo, esquecemos. O jeito é achar brechas nas pessoas "sensatas" que nos tornamos e fazer uma visita às pessoas sábias que éramos. Fiquei pensando no adolescente que eu fui. E senti um amor imenso por aquele menino idealista, sentimental, romântico, com certos problemas como  qualquer adolescente, mas com a certeza de que tudo daria certo. Queria conversar com ele, e pedir para que ele não fosse tão racional em determinados momentos, que fosse até um pouco insensato em outros, que não fizesse o que os outros esperavam dele. - Por favor, faça o que seu coração manda! Suplicaria. Mas como adolescente não ouve ninguém, lógico que eu não seria ouvido. Hoje, sentados um ao lado do outro, lamentamos...

  Deve ser assim...

Era um dia de chuva, de muita chuva e certo frio. Diferente daquele dia de sol. Mas era um dia de esclarecimentos.

Sim, de claridade só possível na antevéspera de domingo. Clarice Lispector escreveu certa vez que a "... desistência também é um tipo de salvação...". E, eu completo, encerrar algo também significa começar tudo de novo, de uma outra maneira!

Mais uma vez: "morrer pra germinar" (mas pq será que achei que dessa vez podia ser diferente quando, logo de cara, no primeiro pensamento, eu percebi que não era?! Pq terei sido cruel comigo mesmo esse tempo todo?! São perguntas que vão ficar sem respostas. Pelo menos por enquanto!).


Voltei a escrever, depois de certo tempo. Mas agora continuarei a estar refletido nas entrelinhas, como nas outras vezes. Que isso fique claro! Hoje uma nova etapa começa pra mim em muitos aspectos. E vou precisar de certa decisões para arrumar as minhas idéias. Assim estou com os meus erros e acertos... afinal, não é disso que a vida é feita?

P.S.: Eu juro solenemente que não vou beber de novo! Nunca mais!

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